segunda-feira, 27 de maio de 2013

Receio

Tenho medo
Esse medo não comum
O receio de perder o que não é meu
De ganhar algo que não almejo
Medo da surpresa
Medo do sentir estar
Do que vir depois
Apreensão ao fracasso
Medo de sofrer
De viver
O tal medo
Que rege nossos limites
O tal medo
Que dita o respeito pela vida
O medo do desconhecido
Os medos

única

Invadida pelas recordações
Aquelas marcas que tu me deixou
Essas imagens das quais não posso esquecer
De repente
De mulher a menina
Tu me ensinas
Não há foco além de nós
Então repetes num suspiro
E me clama a pele branca
Esta pele pálida da qual tu delatas
A exsudação que dela evapora
No calor, esse amor
E na cama, me amas
Me entrego e te quero
Como eu te quero
Te tenho
Mas só tenho uma certeza
Tu me tens eu sou tua
Apenas tua
Única

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sorte

Um beijo de bom dia
Uma manhã fria
Um sussurro de amor
De uma vida sem dor
A estrada é longa
O vento é forte
Deitar na grama
Sentir seu perfume
Sorrir para o céu
Voar imaginariamente
Te ter do meu lado
Um beijo roubado
Para mim já é sagrado
Seus lábios me tentam e seus olhos me matam,
porém te levo comigo mesmo que for no perigo
Pois te quero aqui no bem ou no mal, na vida ou na morte...
Se isso tudo for sorte.

Em determinada direção...

Ruas úmidas, mal iluminadas e sombrias
Caminho vagarosamente 
Sem direção,
Talvez sem rumo
Ouço ruídos de vidros quebrando
Continuo o meu trajeto sem almejar o lugar ao qual quero chegar
Madrugada fria, o sereno cai sobre minha pele causando total volúpia
Não sei onde estou, nem para onde vou
Pensamentos me tomam por completo 
Em quanto a nostalgia come meu corpo e minha cabeça
Apenas continuo na esperança de chegar a algum lugar

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Amargo

Meu reflexo
Nos seus olhos castanhos
A cama quente
De uma manhã fria
Já sabia que não era certo
Mais uma noite demente
Quem é você?
Quem sou eu quando estou com você.
Monstro do meu pesadelo
Não se vá
Não me deixe aqui
Uma doce dor desse amargo amor
Não me convence um final feliz
Ardente, prejudicial, indecente
Seu calor me comove
À um grave delírio
Dessa forma
Suave
Sangrenta paixão
Com um pouquinho de luxúria
Sem opção de viver melhor

Tornar-se Peco

A raiva, a cólera
Agressividade exagerada
O desgosto
pesar pelos bens do outro
Voracidade
funcionando abaixo da nossa
Potencialidade
O brio, altivez
a soberba dessa vez
Ninguém chora, todos riem
Não confiar em ninguém
Mesquinhar, é se auto aniquilar


Negligência, lentidão
ócio, mandrião


Desfrutar do poder de dominar
prazer pelo excesso
Lascívia, devassidão
Ninguém mais ri
Agora, apenas imploram
Porque todos choram


(Autor: Clara Gabriela Ferrari)